Este sítio, embora se destine a todos quanto se interessam pela saúde como factor do desenvolvimento dos povos em todo o mundo, procura sobretudo ser um lugar de encontro de alunos, colaboradores e amigos dispersos por todas as longitudes do globo, a quem quero antes de mais dar as boas vindas.
O Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) é uma Instituição centenária impar na academia portuguesa. Vocacionado inicialmente para o estudo, ensino e clínica das doenças tropicais, evoluiu recentemente para uma abordagem integrada que vai desde o nível molecular aos sistemas globais de saúde, adoptando, sem abandonar a sua vocação tropical, um forte empenho na resolução de problemas de saúde dos mais pobres e excluídos independentemente do lugar onde vivem.
O IHMT emerge no início do século XX, coroando cinco séculos de globalização pioneira, em que as preocupações de saúde foram parte relevante dos esforços de descobrimentos, dos contactos com outros povos e culturas, da colonização e evangelização dos novos territórios, bem como da investigação e da educação universitária em todos os continentes.
No seu ciclo colonial de 72 anos, o Instituto e os seus profissionais estiveram na linha da frente da investigação das grandes endemias e mantiveram os Archivos d’Hygiene e Patologia Exóticas (1905-1925) e os Anais do Instituto de Medicina Tropical (1935-1984, com duas alterações da denominação pelo meio). As publicações da autoria do pessoal da Escola de Medicina Tropical de Lisboa abrangem a doença do sono, a malária, a helmintologia, as leishmanioses, estudos sobre vectores e outras doenças endémicas nos trópicos como as avitaminoses e a peste. Estas linhas de trabalho continuam actuais, reforçadas por linhas de investigação sobre tuberculose, diversas viroses mais prevalentes nos trópicos, saúde dos viajantes e de populações migrantes e sistemas de serviços de saúde, frequentemente no âmbito de redes e projectos em parceria que emprestam ao Instituto um forte cariz internacional. Apesar de descontinuados, queremos em 2012, nos 110 anos do Instituto, relançar os nossos Anais.
Com a instalação da Escola de Medicina Tropical, em 1902, o Curso de Medicina Tropical passou a ser obrigatório para todos os médicos admitidos nos quadros do Ultramar e da Armada. O Curso de Medicina Tropical mantém-se, ainda hoje, como uma das ofertas pedagógicas mais procuradas tanto por médicos como, em curva acentuadamente ascendente, por outros profissionais de saúde. No âmbito da estratégia institucional actual, esta oferta pedagógica constitui um leque alargado de programas de actualizações técnicas e de formação contínua, pós-graduações (mestrados e doutoramentos); alguns destes programas são ofertas inter-institucionais internacionais. Com vantagens recíprocas, a nossa actividade pedagógica integra-se cada vez mais em programas de capacitação institucional das Escolas Técnicas, Faculdades, Ministérios, Hospitais e Institutos Nacionais de Saúde dos países lusófonos.
Ao seleccionar um dos nossos cursos terá o apoio dum corpo de docentes-investigadores na procura do conhecimento necessário à consecução do curso e na colaboração à construção continuada de uma ciência empenhada em resolver os problemas de saúde mais prementes nas sociedades e comunidades onde trabalha.
Através do estabelecimento de missões permanentes, de criação dos Institutos Provinciais, que ainda existem integrados nos sistemas nacionais de saúde dos países lusófonos, ou ainda pelo seu apoio ao planeamento dos serviços de saúde coloniais, tanto a Escola como depois o Instituto, contribuíram para o desenvolvimento dos sistemas de saúde coloniais. O IHMT mantém-se fiel a essa orientação para o reforço de sistemas de saúde através de assessoria técnica a ministérios da saúde em Portugal e alguns países da lusofonia, bem como pelo seu trabalho como uma das instituições responsáveis pela educação das elites da investigação científica e do pensamento sobre saúde nos Estados Membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
Uma Missão tão abrangente e ambiciosa requer uma grande sensibilidade e abertura às exigências que a saúde do povo, particularmente dos mais pobres, numa sociedade sempre em mudança, nos coloca. O conhecimento actualizado dessas solicitações, e como melhor procurar satisfazê-las, só é possivel com a participação activa dos alumni deste Instituto numa Associação que, desde já, queremos instalar convosco. Este sítio procura ser um primeiro passo nessa direcção; convidamo-lo a fazer o caminho connosco dando os seguintes.
Para terminar, uma referência ao nosso activo mais importante: a língua da Lusofonia, a língua Portuguesa resultante do multiculturalismo da CPLP. A globalização e as novas tecnologias mudaram substancialmente a forma como a Língua Portuguesa se posiciona no mundo atual: falada por mais de 240 milhões de pessoas distribuídas em oito países de quatro continentes, é a terceira mais falada no hemisfério ocidental, a mais falada no hemisfério sul e a sexta mundialmente. Em português continuaremos a levar, nas palavras de Torga, médico e poeta, “a chama da vida mais além”.