
O que é o Ébola?
O Ébola é uma doença causada por vírus da família Filoviridae. Das seis espécies de Orthoebolavirus conhecidas três são responsáveis pela maioria dos surtos: Ebola, Sudan e Bundibugyo.
O nome vem do rio Ébola, afluente do Congo na República Democrática do Congo, perto da fronteira com o Sul do Sudão (hoje Sudão Sul) e onde ocorreu um dos primeiros surtos.
Onde ocorre e porque é importante?
Os surtos acontecem sobretudo na África Central e Ocidental.
É uma doença relevante porque:
- Habitualmente evolui para formas graves
- tem taxas de letalidade muito elevadas
- transmite‑se facilmente em contextos de contacto próximo
- coloca grande pressão nos sistemas de saúde e o pessoal de saúde é em todos os surtos particularmente afectado.
- pode espalhar‑se entre países devido à mobilidade global
De onde vem o vírus?
Várias espécies de morcegos frugívoros são considerados o principal reservatório natural. A infeção humana costuma começar através do contacto com animais infetados, vivos ou mortos, como primatas ou outros mamíferos selvagens, seguida de contágio humano-humano.
Como se transmite?
A transmissão ocorre por contacto direto com:
- pessoas ou animais infectados
- sangue, suor, vómitos, fezes, esperma, urina ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados
- objetos contaminados (roupa, roupa de cama, agulhas)
A transmissão é mais frequente em casa, em hospitais e outras instalações de saúde e em cerimónias fúnebres.
A OMS, o ECDC e o US CDC (Center for Disease Control and Prevention) reforçam que o vírus só se transmite depois do início dos sintomas (ou seja, não se transmite no período de incubação) e que pode sobreviver algum tempo em superfícies, dependendo das condições.
Quais são os sintomas?
Incubação: 2 a 21 dias, na maioria dos casos uma semana ou menos.
Os primeiros sintomas são parecidos com outras infeções:
- febre
- dor de cabeça
- cansaço intenso
- dores musculares
- dor de garganta
Depois podem surgir:
- vómitos e diarreia
- dor abdominal
- erupções na pele
- alterações da função hepática e renal
- hemorragias (menos frequentes e geralmente mais tardias)
- confusão ou irritabilidade ou coma
A doença é grave?
Sim. A gravidade depende do tipo de vírus, da rapidez do diagnóstico e do acesso a cuidados médicos. O tratamento de suporte precoce — hidratação, estabilização e controlo de sintomas — aumenta muito as hipóteses de sobrevivência.
Existe tratamento ou vacina?
Tratamento
Para o vírus Ebola (EBOV) existem tratamentos aprovados, como anticorpos monoclonais:
- mAb114 (ansuvimab™)
- REGN‑EB3 (Inmazeb™)
Para os vírus Sudan e Bundibugyo, ainda não existem tratamentos específicos aprovados.
Vacinas
Existem vacinas aprovadas para o vírus Ebola (EBOV):
- Ervebo®
- Zabdeno® / Mvabea®
São usadas sobretudo em surtos e para proteger profissionais de saúde.
Como prevenir?
- evitar contacto com pessoas infectadas ou suspeitas de o estar, assim como com o seu sangue e fluidos corporais
- usar equipamento de proteção em contexto clínico
- lavar as mãos com frequência
- isolar rapidamente casos suspeitos
- acompanhar contactos durante 21 dias
- garantir práticas seguras em funerais
- evitar contacto com animais selvagens doentes ou mortos em zonas afetadas
- evitar sempre contacto com morcegos em zonas afectadas
O controlo de surtos depende de vigilância, cuidados clínicos, rastreio de contactos, vacinação (quando aplicável) e envolvimento das comunidades.
Porque o Ébola preocupa?
- tem uma taxa de mortalidade muito elevada
- pode transmitir‑se facilmente em contextos de contacto próximo
- exige respostas rápidas e organizadas
- pode afetar gravemente sistemas de saúde (no surto da Libéria 2014 matou ¾ dos médicos do país)
- é uma doença prioritária para investigação e preparação internacional
Atualização: 25.05.2026
Revisão Científica: Prof. Doutor Jaime Nina (infecciologista e Professor jubilado do IHMT NOVA)
Fontes:
Organização Mundial da Saúde (OMS), Ebola disease, 24 abril 2025.
Centers for Disease Control and Prevention (CDC), About Ebola, 2024–2025.
