Cinco décadas após a descoberta do vírus Ébola, o mundo volta a confrontar-se com um surto de grandes dimensões na República Democrática do Congo e no Uganda, num contexto marcado por menor financiamento internacional, fragilidades operacionais no terreno e desafios de segurança que dificultam a resposta. A atual epidemia, causada pela espécie Bundibugyo, já provocou centenas de casos e dezenas de mortes, segundo o Africa CDC, e está a ser considerada uma das maiores da História recente.
Neste cenário, o IHMT NOVA volta a afirmar-se como fonte científica de referência, contribuindo para a interpretação rigorosa dos acontecimentos e para a comunicação pública baseada em evidência. O Prof. Doutor Jaime Nina, infeciologista e Professor Jubilado do Instituto, foi um dos especialistas entrevistados pelo Expresso, oferecendo enquadramento técnico essencial sobre a evolução do vírus, os desafios da resposta e as diferenças entre as várias espécies de ortoebolavírus.
O Prof. Jaime Nina sublinha que o Ébola continua a ser um vírus temido pela sua letalidade elevada e pela violência dos sintomas, mas lembra que não se transmite antes do início da doença, o que permite estratégias eficazes de contenção. Explica também que as vacinas e terapêuticas desenvolvidas para a espécie Zaire não são automaticamente eficazes contra o Bundibugyo, devido às diferenças nas glicoproteínas de superfície — um ponto essencial para compreender a vulnerabilidade atual.
O artigo destaca ainda fatores que dificultam o controlo da epidemia: testagem limitada, atrasos laboratoriais, falta de equipamento de proteção, conflito armado e desconfiança das comunidades, especialmente em práticas funerárias que aumentam o risco de transmissão. Estes elementos fazem com que o vírus avance mais rapidamente do que a resposta, como alertam equipas humanitárias no terreno.
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