
A música leva-nos até diferentes épocas e geografias. Mais do que a pintura ou a literatura, habita e transforma os lugares. E tudo isto através de som que, efetivamente, acontece. Tratando-se de repertório centenário, projetam-se diferentes vidas e cenários. Estamos, portanto, no século XVIII. Primeiro, em Veneza, com duas figuras emblemáticas da cidade italiana. Os concertos para cinco partes instrumentais compostos por Albinoni na década de 1720 eram presença assídua nos salões privados, nos círculos académicos e nos majestosos palácios plantados à beira dos canais – os Solistas da Metropolitana confiam aqui as partes solistas ao oboé e à trompete. Por seu turno, Antonio Vivaldi destinou mais de trinta concertos a algum(a) fagotista virtuoso em atividade no Ospedale della Pietà, um convento que abrigava jovens femininas de filiação incerta ou oriundas de famílias pobres. No caso do famoso RV 484, e para lá da vertigem dos arpejos, as passagens líricas são amplas e ornamentadas, com rasgos tempestuosos no último andamento. Rumamos depois à Terra dos Mil Lagos – não à Finlândia, mas a essa outra situada na região de Meclemburgo, no nordeste da Alemanha. Foi nas margens do Lago Schwerin que, três décadas mais tarde, Johann Wilhelm Hertel compôs este Concerto para Oboé e Trompete.
Programa detalhado:
T. Albinoni Concerto a Cinque, Op. 9/3 (oboé, trompete e cordas)
A. Vivaldi Concerto para Fagote, RV 484
J. W. Hertel Concerto para Oboé e Trompete
Solistas:
Sally Dean (oboé), Lurdes Carneiro (fagote) João Moreira (trompete), Sérgio Silva (cravo), Nuno Rodrigues, Guilherme Lourenço Reis (violinos), Andrei Ratnikov (viola), Nuno Abreu (violoncelo), Vladimir Kouznetsov (contrabaixo)
A entrada tem o custo de 7€, podendo o bilhete ser adquirido no local e no próprio dia do concerto, mediante reserva prévia junto da Metropolitana de Lisboa, através do contacto relacoespublicas@metropolitana.pt.
