As Jornadas do GHTM 2026 decorreram no dia 14 de maio, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa, sob o tema “Rethinking Global Health: One Health, Mobility and Future Challenges”. O evento reuniu, em formato presencial e online, mais de uma centena de investigadores do GHTM, profissionais de saúde e parceiros institucionais para um dia intenso de discussão sobre os principais desafios emergentes da Saúde Global.
A sessão de abertura contou com as intervenções do Professor Doutor Filomeno Fortes, Diretor do IHMT NOVA e Coordenador do GHTM, e do Professor Doutor Miguel Viveiros, Coordenador Científico do GHTM. Foi destacado que a classificação de excelência atribuída ao GHTM pela FCT representa o reconhecimento da capacidade científica, das competências instaladas e das ferramentas que a unidade dispõe para produzir conhecimento de alto impacto e desenvolver respostas concretas para os desafios imprevisíveis que hoje marcam a Saúde Global, desde doenças infecciosas emergentes às alterações climáticas e à mobilidade populacional.
A palestra inaugural foi proferida pelo Professor Catedrático Jubilado Paulo Ferrinho. Intitulada “Uma Só Saúde e Saúde Global: Reflexões para Repensar o GHTM”, a intervenção lançou várias questões sobre a necessidade de repensar os modelos de governação, participação e produção de conhecimento em Saúde Global, defendendo uma abordagem integrada entre saúde humana, animal, ambiental e planetária.
Seguiu-se o debate “Saúde Global – Que futuro?”, moderado pelo Professor Doutor Miguel Viveiros, que contou com a participação do Professor Doutor Paulo Ferrinho, da Dra. Magda Robalo (membro do GHTM Scientific Advisory Board), do Professor Doutor António Rendas (Professor Catedrático Jubilado da NMS), do Professor Doutor Pedro Póvoa (Diretor da NMS) da Professora Doutora Sónia Dias (Diretora da ENSP), do Dr. Joaquim Saweka (Universidade Agostinho Neto) e do Professor Doutor Filomeno Fortes.
Entre os principais temas debatidos destacaram-se a necessidade de reforçar mecanismos de financiamento sustentável, a capacitação local e a co-criação de soluções em Saúde Global a integração do conceito One Health, os impactos das alterações climáticas e das doenças infecciosas, bem como os desafios éticos associados à inteligência artificial e à governação de dados. Foi ainda destacada a importância de reforçar a colaboração entre a NOVA, os países da CPLP e parceiros internacionais.
Na reflexão de encerramento desta sessão, o Professor Paulo Ferrinho destacou que os instrumentos democráticos são essenciais para os processos de conhecimento e tomada de decisão, defendendo a necessidade de criar mecanismos de diálogo e participação comunitária que permitam construir uma visão verdadeiramente global e participativa da saúde.
Após o almoço de networking, a tarde foi dedicada a três palestras centradas em diferentes perspetivas da Saúde Global, com intervenções da Doutora Sabrina L. Li (King’s College London) do Doutor Inácio Mandomando (CISM e GHTM), e da Doutora Elsa Duarte (Universidade de Évora).
As Jornadas encerraram com a mesa-redonda “Saúde e Mobilidade: Novas Valências para Desafios em Viagens”, moderada pela Doutora Sofia Rodrigues, reunindo profissionais da área da Medicina de Viagens. Participaram neste debate a Professora Doutora Filomena Pereira, o Professor Doutor Kamal Mansinho, o Prof. Doutor João Borges da Costa, a Dra. Teresa Baptista e a Prof. Doutora Liliana Rodrigues.
A discussão centrou-se nos desafios emergentes associados à crescente mobilidade global e às novas tendências de viagem, incluindo o aumento de riscos relacionados com infeções sexualmente transmissíveis, turismo sexual, doenças emergentes e alterações nos padrões epidemiológicos. Foram também abordadas questões relacionadas com a procura crescente de aconselhamento sobre riscos em cruzeiros, estratégias de prevenção, utilização de PrEP, dificuldades diagnósticas e manifestações dermatológicas associadas a doenças importadas.
Os especialistas sublinharam que a Medicina de Viagens enfrenta atualmente uma realidade mais complexa e dinâmica, exigindo abordagens multidisciplinares, maior literacia em saúde e respostas clínicas adaptadas aos novos perfis de viajantes e aos riscos associados à globalização.
















