
O Relatório Europeu sobre Saúde e Alterações Climáticas 2026 foi lançado ontem, dia 22 de abril, e publicado na revista científica The Lancet, apresentando uma avaliação abrangente dos impactos das alterações climáticas na saúde na Europa. O documento reúne contributos de investigadores de vários países, incluindo da Doutora Carla Maia, do GHTM do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa (IHMT NOVA).
Entre os principais resultados, destaca-se o aumento expressivo de eventos extremos e das suas consequências para a saúde pública. Entre 2015 e 2024, os alertas para calor extremo aumentaram mais de 300%, e as vagas de calor foram responsáveis por mais de 60 mil mortes só em 2024. O aumento das temperaturas contribui também para a insegurança alimentar e para a expansão de vetores de doença, como mosquitos transmissores de infeções anteriormente pouco comuns na Europa.
No caso de Portugal, o relatório evidencia assimetrias regionais marcadas, incluindo a maior perda de cobertura arbórea em Coimbra, a maior adequação climática para dengue no Baixo e Alto Alentejo e o crescimento mais acentuado do risco de surtos de West Nile na Área Metropolitana de Lisboa. Estes resultados mostram que os riscos climáticos e de saúde variam substancialmente entre regiões, exigindo respostas diferenciadas.
No âmbito deste tema, o Prof. Doutor Ricardo Parreira, virologista do IHMT NOVA, foi entrevistado pela Antena 1 (RTP), onde alertou para a elevada suscetibilidade da população a vírus como o dengue e o vírus do Nilo Ocidental, devido à baixa exposição prévia. Explicou ainda que estes vírus pertencem ao mesmo grupo de agentes que o da febre amarela e que o aumento da temperatura acelera o ciclo de transmissão, permitindo que mosquitos infetados se tornem transmissores mais rapidamente.

