
As recentes mortes de duas pessoas nos Estados Unidos associadas à infeção por Naegleria fowleri voltaram a despertar a atenção internacional para um grupo de microrganismos raros, mas potencialmente fatais, conhecidos como amebas de vida livre. A cobertura mediática do tema contou com o contributo do Prof. Doutor Jaime Nina, médico infeciologista e professor jubilado do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa (IHMT NOVA), que esclareceu os principais riscos associados a estas infeções e os desafios colocados ao seu diagnóstico.
Segundo o especialista existem três grupos de amebas com maior relevância clínica: Naegleria fowleri, Acanthamoeba spp. e Balamuthia mandrillaris. Entre estas, a Naegleria fowleri é responsável pela meningoencefalite amebiana primária, uma doença rara, de progressão rápida e elevada letalidade. Os sintomas iniciais incluem dores de cabeça, febre, náuseas e vómitos, podendo evoluir rapidamente para alterações neurológicas graves, como confusão mental, perda de equilíbrio e alucinações.
De acordo com os dados citados na reportagem, entre 1962 e 2024 foram registados 167 casos de infeção por Naegleria fowleri nos Estados Unidos, dos quais apenas quatro sobreviveram, correspondendo a uma taxa de mortalidade superior a 97%. O especialista do IHMT NOVA sublinha que a raridade da doença e a dificuldade do diagnóstico precoce continuam a ser os principais obstáculos à sobrevivência dos doentes.
Apesar da gravidade destas infeções, os casos permanecem extremamente raros na Europa. Em Portugal, foi identificado apenas um caso fatal de encefalite amebiana, em 2006, numa criança de oito anos tratada no Hospital de São João, no Porto. A infeção foi atribuída à espécie Balamuthia mandrillaris e constituiu, à data, um dos poucos casos documentados na Europa
No âmbito da prevenção, o Prof. Doutor Jaime Nina, recomenda uma adequada desinfeção das piscinas, particularmente das piscinas amovíveis, bem como cuidados acrescidos durante atividades recreativas em águas doces aquecidas e águas termais. As autoridades de saúde aconselham igualmente a evitar a entrada de água pelo nariz durante mergulhos ou outras atividades aquáticas em ambientes considerados de maior risco.
A participação de especialistas do IHMT NOVA na comunicação social sobre temas emergentes de saúde pública reforça o papel do Instituto enquanto referência nacional na divulgação de conhecimento científico rigoroso, contribuindo para uma melhor compreensão dos riscos associados a doenças infeciosas raras e para a promoção de medidas de prevenção baseadas na evidência científica.
A notícia original do Observador pode ser consultada aqui

