O projeto mosquitoWEB, desenvolvido pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa (IHMT NOVA), foi recentemente destacado pela RTP na sequência da deteção de Aedes albopictus, no concelho de Guimarães. A identificação da espécie pela Unidade Local de Saúde (ULS) Alto Ave levou ao reforço da vigilância entomológica na cidade, num contexto em que o mosquitoWEB tem vindo a contribuir para o conhecimento e acompanhamento de espécies de mosquitos com potencial impacto na saúde pública em Portugal.
Também conhecido como mosquito-tigre-asiático, o Aedes albopictus é uma espécie invasora com capacidade para transmitir vírus responsáveis por doenças como dengue, Zika e chikungunya. A sua presença em novos concelhos justifica, por isso, uma vigilância continuada da sua distribuição e das condições que favorecem a sua proliferação. A deteção do mosquito não significa, contudo, que exista transmissão destas doenças, uma vez que esta depende também da circulação dos respetivos agentes infeciosos, conforme explicado pela ULS Alto Ave.
Neste contexto, o mosquitoWEB contribui para a vigilância entomológica em Portugal. Criado pelo IHMT NOVA, o projeto de ciência cidadã permite o envio de fotografias ou espécimes de mosquitos encontrados em diferentes regiões do país. A informação recolhida contribui para melhorar o conhecimento sobre as espécies presentes e a sua distribuição, apoiando a identificação de espécies invasoras e complementando a vigilância existente.
A presença de Aedes albopictus em Portugal continental não é recente, tendo sido detetada pela primeira vez na região Norte em 2017 e, posteriormente, no Algarve e no Alentejo. Em 2023, através do mosquitoWEB, foi identificada pela primeira vez a presença desta espécie em Lisboa, desencadeando uma resposta articulada com as autoridades de saúde. Este caso evidencia o contributo da participação da população para a vigilância e reforça a importância da continuidade deste projeto.
Contudo, a vigilância deve ser acompanhada por medidas de prevenção. Conforme destacado pela RTP, a eliminação de recipientes com água parada, sobretudo nas proximidades das habitações, permite reduzir os locais que podem servir de criadouro para estes mosquitos, contribuindo para limitar a sua proliferação.
A notícia da RTP pode ser consultada aqui!

